"Penso que uma grande contribuição da Academia ao longo de todo esse tempo como pesquisador e facilitador foi o fato de ter feito uma verdadeira rede entre as mais modernas correntes de pensamento.

É como se a inteligência fosse ficando mais elástica por causa de sua capacidade de fazer conexões. Sabemos que o cérebro humano pode fazer várias conexões entre suas células. Infinitas... Mas, quantas fazemos de fato?

Ao elaborar as pesquisas, vê-se o quanto elas são imediatamente aplicáveis ao nosso cotidiano.

Vejo um grande potencial na Academia no que respeita ao seu próprio nome. Academia, remontando a Platão, ou seja, um lugar que age como um manancial de conhecimentos no sentido de favorecer sua aplicabilidade no meio em que vivemos, possibilitando assim, aquilo que o Professor Michel Echenique, diretor da Associação Cultural Nova Acrópole do Brasil, afirma em suas obras: viver a sua vocação.

O estudo comparado nos permite ter uma posição frente a um mundo que nos coloca uma série de dados. Ao comparar, fazemos uso do processo reflexivo, idéia que faz alusão a se olhar no espelho. Para se ver no espelho, precisamos parar e olhar. Isso exige tempo. A arte de refletir tem uma profunda ligação com o tempo e tempo é vida. Refletir também é viver. O tempo vem do passado e se dirige a um futuro. Ao refletir introduzimos uma visão ternária do tempo que, talvez possa se relacionar com o conceito SER. Ou seja, criamos. Refletir é um processo criativo, pois somos a face que constrói o seu reflexo no espelho da vida a medida que olhamos, fazendo o papel do "olho que tudo vê", como afirma a tradição egípcia em relação ao deus Hórus.

Quando vemos algo, podemos defini-lo, compará-lo e ver qual a nossa posição, semelhante aos navegantes da antiguidade quando observavam as estrelas para saberem onde estavam no meio do oceano.

As estrelas da atualidade seriam as idéias. Nós somos os marinheiros que navegamos no Oceano da Vida, buscando entender o que as estrelas nos dizem para saber onde estamos, de onde viemos e para onde vamos. As estrelas estão sempre aí, o homem precisa mover sua cabeça para cima e olhar para elas. Ligá-las entre si para saber a que constelação pertencem e, relacioná-las com o grande oceano e os pontos cardeais. É um pensamento sistêmico.

O exercício acadêmico da Academia nos permite ser como esses marinheiros que relacionam os conteúdos, as idéias entre si para construírem uma constelação, descobrir os pontos cardeais da nossa vida e ajudar a traçar os rumos nesse imenso oceano da nossa existência."

Charles César Couto

Psicólogo, filósofo e pesquisador